1. Velha creepy da enfermaria. Quem foi a pessoa retardada que colocou uma véia estressada que poderia estar aposentada há vinte anos pra cuidar dos machucados das criancinhas? Quem nunca ralou o joelho correndo (ou sendo empurrado) no extinto campão e teve que aguentar a véia aborígene espremendo o algodão cheio de alguma coisa que fazia doer bastante? A véia creepy da enfermaria (vai ver nem enfermeira era) encabeça nossa lista.
2. Fulaninho que comia BigMac na hora do recreio. Numa época em que eu mal conseguia terminar de comer um McLancheFeliz inteiro, auge da formação dos nossos ossos, existia uma garoto do alto dos nossos seis anos de idade na minha salinha do pré cuja refeição na esperada hora do lanche continha simplesmente gordura o suficiente para alimentar um homem adulto durante pelo menos metade de um dia. Na verdade sabemos nome e sobrenome dessa pessoa, mas iremos nos resguardar. Me pergunto duas coisas: como é que esse pai/mãe comprava isso de lanche pro filho e; se esse lanche era comprado no dia anterior, afinal nao existia McDonalds aberto 7 horas da manhã.
3. Machucados dos fulaninhos na aula de marcenaria. Só a própria aula de marcenaria era um trauma por sí só, mas pior que isso só os machucados que os garotinhos faziam martelando repetidas vezes o dedo ao invés do prego, ou então o prego em cima do dedo, ou ainda o prego juntando ambos dedo e madeira. Ficava um inchaço e uma carne viva horrorosa durante dias, eu nem sabia que um machucado daqueles poderia existir. PS: o garoto que comia BigMac era um dos mais aplicados marteladores e detentor dos machucados mais feios.
4. Patinho de papel-marchê com pescoço quebrado. Ainda auge do jardim da infância. Eu já não prestava pra atleta de campão nem pra marceneiro precoce. Talvez eu tivesse um viés de artista a ser explorado no meu hall de habilidades latentes. Eu me esforcei. Piquei com dedicação o jornal. Misturei com esforço com a água e com a cola. Escolhi uma forminha que eu gostasse. Coloquei a meleca lá dentro. Passou um dia até endurecer, e quando as outras criancinhas escolhiam as tintas-guache pra colorir seus projetos, bum! O meu patinho não estava lá. Sobrou algum outro bichinho mal-acabado no lugar. Fiquei arrasado. Minha mãe foi obrigada a escrever um bilhete pra professora pedindo pras mães interrogarem seus filhos quanto à veracidade da autoria das pequenas obras de arte de ostentavam em casa. Eu já estava começando a ficar com dor de barriga. Até que ele apareceu. Algum infeliz se rendeu e trouxe meu patinho de volta. Quase corei de alegria. Por um momento. Afinal o garoto tinha brincado tanto com o raio do pato que o pesoço estava simplesmente bambo, praticamente caindo. E ainda estava pintado de amarelo. Eca. Eu broxei. Deve ter acabado aí minha carreira de artista plástico.